Novo integrante no grupo de aventureiros nessa sessão: Alanian Galanodel, um elfo forasteiro em busca de tesouros no Império Esmeralda. Achei interessante a união de um estrangeiro ao grupo de nativos de Rokugan. Vai ser interessante. Nesse capítulo, que retrata a última sessão de jogo que tivemos, a história começou a se desenrolar e a trama está começando a ficar mais densa. Eu, particularmente, estou gostando do rumo que a narrativa está tendo… Garanto que as próximas serão cada vez mais emocionantes. =)
Capítulo III – Ano 1160, Haru.
Sabe-se lá para onde o wu jen foi. Passou correndo pela constritora como se nada tivesse acontecido e meio que desapareceu no horizonte. O nobre shugenja, na tentativa de impedir o bote da serpente em uma das pernas de Yukimura, atira uma pedra na cobra e erra… Com os dentes já cravados na perna do ronin, a serpente, praticamente imobilizada, torna-se alvo fácil para a lâmina do samurai. Após o combate, o shugenja cura alguns dos ferimentos do ronin.
Agora sem o wu jen, os dois aventureiros seguem jornada rumo a Ubaku Mura, a vila das gueixas. O cenário, antes árido, vai aos poucos ganhando um tom verde. A visão dos dois é tomada por um campo aberto, gramado, com algumas árvores ao norte, beirando o trecho de caminhada. Uma mulher ao longe chama a atenção da dupla.
- Por favor, aventureiros, poderiam ajudar uma pobre senhora… Algumas moedas de ouro seriam mais que suficientes…
O nobre pega uma peça de ouro, mas, antes de entregá-la à mulher, questiona os motivos do pedido. Focado nas atitudes da mulher, o shugenja percebe que de uma das mangas das vestes da senhora cai um pequeno papel vermelho. A luz do sol no entardecer reluz sobre o pequeno papel que, certamente, acaba por servir de aviso a alguém próximo.
Poucos metros à frente, um forasteiro, escondido sob as sombras de algumas árvores, observa o ocorrido. Um zunido rasga o silêncio por entre as árvores. Um virote finda sua rota cravado em um dos pés de Yusuke. No mesmo momento a senhora tenta correr do local, fugindo dos dois viajantes. Surpreso com o virote que atingiu seu companheiro, o ronin segue alguns metros com sua espada já em mãos. Outro virote corta o vento e cai perto do samurai. O forasteiro, ainda não avistado pelo grupo, percebe o atacante próximo ao topo de uma das árvores. Com seu arco longo e sua élfica destreza o alvo surpreso acaba por tornar-se presa certa. Uma das flechas do elfo atinge a perna do bandido sobre a árvore, a espreita. Tentando manter o equilíbrio, o homem armado de uma besta leve atira um de seus virotes na direção do elfo. Dessa vez, por centímetros, o virote balança os longos cabelos do ranger, causando-lhe apenas um pequeno arranhão na face.
Uma segunda flecha do elfo é o suficiente para perfurar o peito do humano que, já desacordado, tomba perante o ranger. Na tentativa de fuga, a mulher apavorada é pega pelo nobre shugenja.
- Eles me obrigam! Eles me obrigam a fazer essas coisas! Há mais deles! Pode haver mais deles! – grita a mulher em pranto.
- Acalme-se! Há quantos deles? – questiona Yusuke.
- Não sei ao certo, mantinham-me aprisionada, obrigando-me a pedir esmolas enquanto saqueavam viajantes trouxas…
O elfo pilha o cadáver, tomando-lhe os virotes e a besta leve. O ronin, alguns passos avante, se surpreende com a presença do elfo que rapidamente se apresenta.
Alguns metros atrás o shugenja e a mulher conversam sobre o ocorrido. Já acalmada, a mulher pede ajuda ao nobre, dizendo que havia sido sequestrada da casa de seu pai e aprisionada por um bando de samurais do território Leão. Segundo ela, o esconderijo do grupo é um templo subterrâneo na região sagrada a leste de Ubaku Mura. Por fim, o nobre decide escoltá-la até a casa de seu pai, já que também é próxima à vila das gueixas.
O elfo explica o acontecido ao ronin e ao shugenja, dizendo que apenas lhes ajudou a livrarem-se da emboscada. O ranger estrangeiro apenas estava percorrendo o Império Esmeralda em busca de tesouros, e aventuras que pudessem lhe trazer tal ouro. Desprovidos do wu jen, Yusuke e Yukimura concordam em dividir sua missão com o forasteiro. O ronin conta sobre o trabalho de buscar uma encomenda para um dos nobres Shiba e os fatos mais relevantes sobre a missão.
Como já era praticamente noite, o grupo encontra um lugar próprio para montar o acampamento. Já alimentados, decidem sobre a guarda noturna. O elfo é o primeiro a ficar de guarda enquanto o shugenja medita nas primeiras quatro horas da noite. Passadas praticamente as quatro primeiras horas, o elfo é atacado por alguns corvos. Por serem muitos, talvez atraídos pelo cadáver que estava próximo, os corvos conseguem causar alguns ferimentos no elfo que, por não possuir uma arma de ataque corporal, corre na direção da barraca e acorda o shugenja. Também em combate, o ronin pausa seu sono para sacar sua espada. A lâmina reluzente chama a atenção de alguns dos corvos. Um deles acaba derrotado pela katana do ronin. O golpe final é dado pelo shugenja. Yusuke pega um ofuda e usa uma de suas magias. Atraídos pela lâmina da katana, os corvos descem em rasante na direção do grupo. Das palmas das mãos do shugenja, no exato momento do ataque dos corvos, surge uma labareda. O fogo atinge, em forma cônica, a área perante o grupo. Cinco corvos são abatidos pelo ataque, o restante foge com o clarão produzido pela magia.
Nas próximas horas o shugenja fica na guarda enquanto os outros dormem e o elfo medita em quatro longas horas de transe. O dia amanhece nublado. O grupo se alimenta e desfaz o acampamento. Ao seguirem para a vila das gueixas, em pouco tempo de caminhada, a chuva começa. Os três e a mulher caminham incansavelmente, mesmo sob a chuva que persiste tanto quanto eles. Após horas de caminhada e já próximos à vila, o grupo para sob uma rocha para mais uma refeição.
Adentram a vila quando a noite se inicia. Ubaku Mura é um lugarzinho bem movimentado para uma pequena vila. Anos atrás, a vila funcionava como uma área de treinamento para as gueixas que serviriam aos shoguns dos clãs. Com o passar dos anos, a prostituição ganha espaço na vila graças aos viajantes. Bordéis acabam sendo organizados para satisfazer aos tantos forasteiros que passam pelo território Fênix.
A mulher que acompanha o grupo mostra-se um tanto assustada, talvez temesse o grupo dos samurais desonrados que a havia sequestrado. Exaustos, os quatro se dirigem por entre as tantas pessoas que caminham pelas ruas até a casa de chá mais próxima. No caminho, um bordel com várias gueixas à mostra chama a atenção da mulher que os acompanhava. A mulher por um momento fica estática, focada em uma das jovens gueixas expostas.
- Sophie! – grita a gueixa surpresa.
Sophie, a mulher que estava sendo escoltada pelo grupo, em meio às lágrimas, corre na direção da gueixa que, apesar de mais nova, parece muito com ela. Um homem, aparentemente nativo do território Leão, impede a passagem de Sophie:
- Afaste-se, nada de contato…
O shugenja vira para Sophie e pergunta:
- É sua filha?
Sophie, vidrada na moça, não responde.
- Irmã?
A mulher apenas gesticula com a cabeça positivamente.
- Quanto é aquela? – pergunta Alanian, o elfo do grupo, apontando para a irmã de Sophie.
- Duzentas peças de ouro. Ela é selecionada para os grandes senhores, saiu poucas vezes… Por isso o preço. – responde o homem que cuida da casa de gueixas.
Num blefe filho da mãe, Alanian diz ao homem:
- Tem alguém te chamando ali atrás…
Quando o homem se vira, o elfo pega a irmã de Sophie pelo braço. No mesmo instante Yukimura diz:
- O que você está fazendo?
Com a mão em sua katana, o guarda do bordel a sacaria num golpe capaz de decepar o braço do elfo. Sacaria, mas não sacou. O shugenja Isawa usa um ofuda e toca o homem no peito. Uma corrente elétrica corre o corpo do guarda, conduzida pela lâmina da katana que o pobre acabara de desembainhar. Na confusão, Alanian puxa a irmã de Sophie pelo braço e corre com ela para a casa de chá ao lado. Sophie os segue.
O guarda, ainda se recompondo, tenta golpear o shugenja com sua katana, porém, atordoado pelo toque chocante que acabara de receber, o homem acaba derrubando a própria arma no chão. Fugindo da confusão, na intenção de não agir de modo que sua honra pudesse vir a ser comprometida, Yukimura se abaixa para pegar a espada do guarda. O homem vira para o ronin:
- Dá a minha espada!…
O ronin tenta recompor-se, mas leva um soco do homem irritado. Nesse momento, Yusuke usa um ofuda em uma magia que aparentemente aumenta sua resistência física caso entre num combate. Depois disso, o shugenja corre para a casa de chá.
Yukimura tenta explicar o mal entendido para o guarda, que por sinal insiste no combate. Após dois chutes do ronin, o guarda cai desacordado no chão. Alguém havia avisado outro alguém sobre a confusão na frente do bordel… O ronin ainda segurando a katana do guarda, a deixa no chão, ao lado de seu dono desacordado, porém, o outro alguém já havia visto a cena.
No interior da movimentada casa de chá o elfo percebe a semelhança entre o homem que estava atrás do balcão e o guarda do bordel. Ao procurarem uma mesa vazia, o elfo e as duas irmãs notam que o homem atrás do balcão – pertencente ao clã Leão (denunciado por suas vestes com brasões do clã) – faz sinal para um trio de samurais de vestes escuras numa mesa ao canto. O shugenja adentra a casa de chá no exato momento em que os três capangas se levantam de seus lugares. O elfo grita:
- Fogo! – e sai correndo com as irmãs pela saída. O shugenja deixa os três passarem, mas barra a passagem dos três samurais que vinham após eles. O samurai da frente tenta golpear o nobre Isawa com sua katana, porém, acaba quase que atropelado pelos outros dois que vinham no seu encalço. Com a ação, o shugenja ganha tempo para que o elfo fuja com as duas irmãs.
- Para que lado é a casa de seu pai? – questiona Alanian.
- Para oeste daqui. – Responde Sophie, enquanto correm.
O homem, que avistara a confusão na frente do bordel, dirige-se até o ronin:
- O que aconteceu aqui?
Yukimura tenta explicar os motivos que lhe levaram a desacordar o guarda, e também revela o fato de um dos seus “amigos” ter meio que raptado uma das gueixas.
- Então você desmaia o meu guarda e ainda permite que um dos seus amiguinhos leve uma das minhas gueixas?!
Tentando manter a calma, o samurai desonrado explica sobre a missão em que estavam, e o trabalho do grupo para um nobre.
- Então estão trabalhando para um nobre? Quem?
- Shiba Urameshi. – responde Yukimura.
- Se bem sei, Shiba Urameshi costuma dar um brasão da família Shiba para seus servos… – Disse o homem, agora mais interessado do que nunca.
- Sim, eu tenho um brasão aqui comigo.
- Deixe-me ver…
Yukimura mostra o brasão ao desconhecido e apaga. Uma pancada forte na nuca, vinda de alguém que observava o conflito noturno desde o início.
Perdendo totalmente a noção do tempo, Yukimura acorda em uma sala fechada, com grades na parte da frente. Sem sua armadura, ou suas armas, coberto apenas por um pano velho, o ronin vê, por entre as barras de ferro que compõem a grade à frente, o homem de antes, balançando o brasão dos Shiba como um brinquedo de um charlatão hipnotizador qualquer… Um sorriso assustador enche o semblante do bandido.
Sem contar que nessa sessão estreei minha trilha sonora nova de RPG! =D